terça-feira, 6 de março de 2012

Realidade aumentada apaga fronteira entre o mundo real e o imaginário


O designer Jan Torpus testa o capacete de realidade aumentada que desenvolveu
O designer Jan Torpus testa o capacete de realidade aumentada que desenvolveu


Uma dupla de policiais suíços faz a ronda, enquanto uma criatura usando um capacete espacial com uma câmera no topo e mochila de astronauta caminha pelo parque Saint Johann, em Basileia, Suíça.

Mas o que parece ser um visitante de outro mundo na verdade é o designer inovador Jan Torpus, que, com o projeto que ele chama de "realidade aumentada", confunde as fronteiras entre o mundo real e a fantasia.

Através da tela de seu capacete, Torpus distingue dois funcionários de limpeza, árvores, arbustos e bancos, mas a paisagem também é povoada por animais virtuais que caçam besouros.

"Talvez possamos fazê-los caçar nosso chefe", diz um dos funcionários ao colega.

O jornalista que testou o capacete também viu algo assombrosamente inusitado: um grande peixe vermelho caçando besouros através do que parecia ser um canavial, que então virou um deserto, e finalmente, se transformou em uma tranquila pradaria.

Um grande verme verde abraça o peixe, cena acompanhada por um fundo musical que lembra a trilha de um filme dramático.

Torpus explica que em seu projeto, "lifeClipper 3", a pessoa que usa o capacete cria suas próprias percepções.

"Cada passeio é único: a situação no parque sempre é diferente em termos de hora do dia, luz, clima, temperatura, encontro com pessoas e animais. Ao ambiente real se justapõe o ambiente virtual; aos seres realmente vivos, os virtuais", continua o inventor, de 45 anos.

"Os dois mundos podem ser influenciados pelo usuário. Ao mesmo tempo, o elemento do acaso desempenha um papel tanto no mundo real quanto no sintético. Isso dá origem a situações únicas, impossíveis de reproduzir", explica Torpus.

As percepções são influenciadas pelo movimento de animais e pela música, que é transmitida por um programa em um computador preso à nuca do usuário.

A base de Torpus é o Instituto para Pesquisa em Arte e Design (HGK), vinculado à Universidade de Ciências Aplicadas do Noroeste da Suíça, em Basileia, cidade que faz fronteira com França e Alemanha.

MUNDO FANTÁSTICO

O projeto começou em 2003, com a união de artistas e cientistas na busca por sensações desafiadoras da mente e novas ideias para aplicativos de celulares, mapas eletrônicos e sites na internet mais inteligentes.

O equipamento usado no "lifeClipper 3" foi todo adquirido em lojas de eletrônicos locais, afirma Torpus, orgulhoso, enquanto ele saca um robusto laptop preso com tiras à bota do usuário.

"Temos que usar um laptop volumoso como este pois precisamos de um computador com muita potência para fazer isso rodar", explica.

O equipamento conta ainda com um GPS com nível profissional de posicionamento, utilizado em engenharia e construção civil, vistorias e agricultura. Também há um sensor de direção e outro de dados biométricos preso ao peito do usuário.

Além disso, há um display de cabeça com câmera e fones de ouvido, microfone e mouse de dedo.

Torpus convida os visitantes a caminharem pelo parque com o capacete de forma a testar a realidade alternativa.

"Ele muda entre situações da vida diária e mundos fantásticos", afirmou, entusiasmado. "É uma alienação das regras físicas e culturais, como centralidade, gravidade, noção de tempo e espaço", afirma.

Fonte : Folha de S.Paulo 

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