sexta-feira, 27 de abril de 2012

Por unanimidade, STF decide a favor das cotas

Resultado vale para universidades que quiserem adotar reservas raciais. Supremo define ainda que instituições devem observar princípio da proporcionalidade, além de fixar prazos



 
As cotas raciais em universidades brasileiras são constitucionais, decidiram ontem, por unanimidade, ministros do Supremo Tribunal Federal.

Depois de dois dias de julgamento, prevaleceu a tese de que a reserva de vagas em instituições de ensino público busca a chamada "igualdade material": a criação de oportunidades para quem não as tem em situações normais.

Ao final do julgamento, o relator do caso, Ricardo Lewandowski, disse que o STF "confirmou a constitucionalidade das ações afirmativas para grupos marginalizados como um todo". Ou seja, cotas sociais, por exemplo, também são constitucionais. A decisão, segundo ele, vale para todo o ensino público.

"A partir desta decisão, o Brasil tem mais um motivo para se olhar no espelho da história e não corar de vergonha", disse o presidente do Supremo, Carlos Ayres Britto.

O placar unânime do julgamento surpreendeu até mesmo integrantes do movimento negro, que não esperavam votos favoráveis dos dez ministros que se manifestaram sobre a questão.

"Ninguém achava que a gente ia ganhar por unanimidade", afirmou Ivair Augusto dos Anjos, diretor do Centro de Convivência Negra da UnB. Ele considerou o debate no STF "profundo" e disse ter ficado bem impressionado com o relatório "muito técnico" de Lewandowski.

Só o ministro José Antonio Dias Toffoli não participou dos debates, pois atuou no caso quando era advogado-geral da União do governo Lula.

A decisão foi motivada por uma ação proposta pelo DEM contra o sistema de cotas adotado pela UnB (Universidade de Brasília) desde 2004, que reserva 20% de suas vagas para autodeclarados negros e pardos. Também oferece outras 20 vagas por ano para índios, cujo processo de seleção é distinto do vestibular.

A decisão ressaltou a necessidade de haver "proporcionalidade e razoabilidade" na quantia de vagas e de prazos para as cotas, que devem durar o tempo necessário para corrigir as distorções sociais que pretendem solucionar.

"É melhor ter uma sociedade na qual todo mundo seja igualmente livre para ser o que quiser. Cotas são uma etapa na sociedade onde isso não acontece naturalmente", disse a ministra Cármen Lúcia.

Único negro do STF, o ministro Joaquim Barbosa disse que a discriminação racial no Brasil é cultural, "do tipo que as pessoas não percebem".

Na semana que vem serão julgadas duas outras ações que tratam do tema cotas. 

Folha de S.Paulo

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Sobre a corrupção



Ao contrário dos que torcem – e em parte patrocinam significativos setores da mídia –, não está se abrindo uma crise com a instalação da CPI sobre a possível rede criminosa do contraventor Cachoeira. Abre-se, sim, uma extraordinária oportunidade de investigar a fundo, não só um caso concreto, mas os métodos, a cultura, a simbiose (às vezes espontânea e no mais das vezes deliberada), entre o sistema político, o Estado e as organizações criminosas politizadas. Estas, como já está provado, não só interferem na pauta administrativa dos governos, mas também na pauta política dos partidos, e podem mancomunar-se com órgãos de imprensa para transitar, ou interesses de grupos econômicos – criminosos ou não– ou interesses dos diferentes partidos aos quais estes órgãos são simpáticos.
Para que esta oportunidade seja aproveitada é necessário, porém, que a CPI tenha a predominância de parlamentares que não tenham medo. Não tenham medo de que o seu passado seja revelado – um passado complicado fragilizaria o resultado da CPI –, não tenham medo de ser achincalhados pela imprensa, pois à medida que contrariarem os interesses que ela defende serão ridicularizados por algum motivo ou atacados na sua honradez. Não tenham medo, sobretudo, de encontrar algum resíduo de envolvimento seu, na teia de interesses, manipulada pelo grupo ora apontado como criminoso.
Uma parte da esquerda, na defensiva em função do cerco a que foi submetida principalmente no primeiro governo do presidente Lula, convenceu-se de que as denúncias feitas pela imprensa não passavam de montagens para nos desgastar. Ora, é razoável supor que muitas denúncias são forjadas (em função de brigas entre empreiteiras, por exemplo, ou para desmoralizar lideranças que são importantes para os governos), mas tomar as denúncias como produto de uma conspiração é errado. É deixar de lado que o Estado brasileiro, historicamente cartorial, bacharelesco, barroco nos seus procedimentos e forjado sob o patrocínio do nosso liberalismo pouco republicano, tem um sistema político-eleitoral e partidário totalmente estimulante aos desvios de conduta e às condutas que propiciam a corrupção.
O uso que a mídia faz dos eventos de corrupção, para tentar destruir o PT e a esquerda é, na verdade, um elemento da luta política por projetos diferentes de Estado e de democracia. São diferentes concepções de republicanismo que estão em jogo, entre um republicanismo elitista e “globalizado” pelo capital financeiro e um republicanismo plebeu, participativo e aberto aos movimentos dos “de baixo”. Este, considera urgente a redução das desigualdades sociais e regionais, mesmo que isso se choque contra as receitas do FMI e do Banco Central Europeu: um republicanismo do Consenso de Washington e um republicanismo do antiConsenso de Washington, é o que está em jogo.
O fato, porém, da corrupção ser “usada” pela mídia, nas suas campanhas antiesquerda, não quer dizer que ela não exista, inclusive no nosso meio. Então, o que se trata, não é de “amaciar” os fatos, mas de disputar o seu “uso” – o tratamento político dos fatos – para fortalecer uma das duas principais concepções de República que caracterizam o grande embate político nacional na atualidade. O “aceite” deste embate político tem um terreno fértil na CPI, em instalação, e a esquerda brasileira poderá agora, se tiver uma estratégia unitária adequada, amalgamar um conjunto de forças em torno dos seus propósitos republicanos e democráticos.
A atual CPI, ao que tudo indica, vai se debruçar sobre um sofisticado sistema duplamente criminoso: ele promove diretamente, de um lado, a apropriação de recursos públicos para fruição de grupos privados criminosos (por meio da corrupção) e, de outra parte, promove a deformação ainda maior do sistema político (por meio da criação de agendas políticas), para cooptar pessoas, vincular mandatos ao crime e, também, certamente, financiar campanhas eleitorais. Se de tudo que está sendo publicado 50% for verdadeiro trata-se de um patamar de organização superior da corrupção, que já adquire um estatuto diferenciado. Nele, o crime e a política não apenas interferem-se, reciprocamente, mas já compõem um todo único, com alto grau de organicidade e sofisticação.
O pior que pode acontecer é que a condução da CPI não permita investigações profundas e que seus membros, eventualmente, cortejem mais os holofotes do que a busca da verdade, ou que ocorram acordos para “flexibilizar” resultados, por realismo eleitoral. Nesta hipótese, ficarão fortalecidos aqueles que hoje estão empenhados em desgastar a esfera da política, que significa relativizar, cada vez mais, a força das instituições do Estado e o sentido republicano da nossa democracia.
Este serviço, aliás, já está sendo feito pela oposição de direita ao governo Dilma, pois já conseguiram semear a informação de que o governo “está preocupado” com os resultados da CPI. A oposição demo-tucana faz isso com objetivos muitos claros: para que todos esqueçam as raízes partidárias profundas, já visíveis, neste escândalo de repercussão mundial, mas que também é uma boa oportunidade de virada republicana na democracia brasileira.
Fonte : Agência Carta Maior 

Conferência da Apple será dia 11 de junho

Evento anual para desenvolvedores deve trazer novidades para o iOS e o OS X; ingressos se esgotaram em menos de duas horas  




A Apple divulgou, nesta quarta-feira, 25, a data de sua convenção nacional de desenvolvedores, a Worldwide Developers Conference (WWDC). A deste ano acontecerá de 11 a 15 de junho, no Moscone Center, em São Francisco. Assim como o do ano passado, o evento terá foco em softwares – o iOS (para aparelhos móveis) e o OS X (para Macs).

Na edição de 2011, quem subiu ao palco para o grande anúncio – o iCloud – foi Steve Jobs, em uma aparição depois de cinco meses de uma reclusãoque se iniciou com sua renúncia ao cargo de CEO da empresa para tratar de um câncer no pâncreas. Foi a última grande evento da Apple de que Jobs participou. Em outubro, o cofundador da Apple faleceu vítima do câncer.
Pela tradição, espera-se que a Apple lance uma nova versão de seu smartphone durante a WWDC. Foi assim com o iPhone 3GS e o iPhone 4. O 4S fugiu da regra e, no ano passado, foi anunciado em um evento em outubro. No entanto, a expectativa de que um novo modelo de celular seja lançado em junho desse segue grande.
“Temos um ótimo evento planejado para este ano e mal podemos esperar para compartilhar as últimas notícias sobre o iOS e o OS X Mountain Lion com os desenvolvedores”, disse Philip Schiller, vice-presidente sênio de marketing global da Apple, em nota.
Menos de duas horas depois de anunciada a data do evento, os ingressos, que custam US$ 1.599, já haviam se esgotado. Apenas desenvolvedores participantes dos programas iOS Developer, iOS Developer Enterprise e Mac Developer podem se inscrever na WWDC, onde acontecem palestras e laboratórios para divulgar as novas possibilidades de uso dos recursos lançados para as plataformas da Apple.

Fonte : Estado de S.Paulo 


terça-feira, 24 de abril de 2012

Votação do Código Florestal será transmitida pela TV do PV



O Partido Verde (PV) transmitirá em sua TV web, www.tvdopv.com.br, a votação do Código Florestal que ocorrerá nesta terça e quarta-feira (24 e 25), a partir das 16 horas, direto do Plenário da Câmara Federal.
Entrevistas com os deputados da bancada verde e aliados serão feitas ao vivo, direto do salão verde da câmara dos deputados, informando filiados e os demais interessados sobre o que estará ocorrendo durante o momento da votação, suas consequências e a posição dos verdes em relação ao  projeto do Novo Código Florestal.

É em clima polêmico e de observação mundial que a matéria volta nesta semana com as modificações do Senado, ao Plenário da Câmara. Na última quinta feira (19) o relator, Paulo Piau (PMDB-MG), ao apresentar seu relatório, excluiu do texto a obrigação do produtor rural recompor uma faixa de 15m a 100m de mata desmatada em beiras de rios ocupadas por produções agrícolas, e ainda que cada estado estabeleça o tamanho da área de mata que será recomposta. Em seu relatório foi mantida a possibilidade de anistia de multas até 22 de julho de 2008 (quando promulgada a lei de crimes ambientais) e sanções para quem desmatar. 

Essas são apenas algumas das questões que geram as discordâncias e dão o tom da dimensão do problema que o futuro reservará, caso o novo Código Florestal seja aprovado pela casa legislativa.
Ontem, o líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto (SP) declarou que acredita que o governo sairá vitorioso da votação, mas ainda assim se for derrotado a decisão final sobre o tema ficará para a presidente Dilma Rousseff, que tem a prerrogativa de vetar ou não. 

O deputado Sarney Filho (PV-MA) pediu nesta segunda-feira (23) a nulidade do relatório do Código Florestal apresentado pelo deputado Paulo Piau (PMDB-MG), assim como o afastamento do parlamentar da relatoria. 

Sarney Filho argumenta que, pelo regimento interno da Câmara, um deputado não pode ser relator de um projeto do qual foi um de seus autores. 

O quê?  Transmissão na TV do PV da votação do Código Florestal
Quando? 24 e 25 de abril
Onde?  no endereço: www.tvdopv.com.br

Fonte : Partido Verde

Projeto incrimina político que ficar rico de forma ilícita

Mudança, que ainda precisa ser votada pelo Congresso, prevê prisão para quem não comprovar origem de bens . Hoje a sanção é só civil e administrativa; juristas que elaboraram texto querem ainda pena mais dura para corrupção


A comissão de juristas que prepara o anteprojeto da reforma do Código Penal no Senado aprovou ontem a criminalização do enriquecimento ilícito.

Se efetivada, a mudança fará com que políticos, juízes e servidores que não comprovarem a origem de valores ou bens respondam por crime, cuja pena poderá variar de um a cinco anos de prisão. Os bens de origem não comprovada deverão ser confiscados.

Hoje, o enriquecimento ilícito pode levar apenas a sanções cíveis ou administrativas, por meio, por exemplo, de ações de improbidade administrativa.

Para o relator da reforma, Luiz Carlos dos Santos Gonçalves, trata-se de "um momento histórico na luta contra a corrupção no Brasil".

"Criminalizamos a conduta do funcionário público que enriquece sem que saiba como, aquele que entra pobre e sai rico", disse o procurador. "O país está descumprindo tratados internacionais contra corrupção, que determinam a criminalização."

O texto aprovado pela comissão prevê ainda que a punição do réu seja aumentada pela metade ou em dois terços caso a propriedade ou posse do bem seja atribuída a terceiros, ou seja, quando existe o uso de "laranjas".

Caso se prove também o crime que deu origem ao enriquecimento, como corrupção ou sonegação, o réu deixa de responder pelo enriquecimento ilícito e passa a responder pelo outro crime, que, em geral, tem pena maior.

Para a pessoa que não é agente público e para empresas, o crime de enriquecimento ilícito continuará não existindo. Neste caso, se houver um aumento de patrimônio, sem comprovação da fonte, pode ser arguida a apropriação indébita ou outro crime que indique a possibilidade de um desvio.

As mudanças, que agora serão votadas pelo Senado, também deverão passar pela apreciação dos deputados federais. Mas, ainda que o anteprojeto seja aprovado como está, ele não poderá retroagir para prejudicar o réu.

CORRUPÇÃO

Ainda ontem, a comissão aprovou o aumento da pena mínima e a redução da pena máxima para o crime de corrupção. Se a alteração passar no Congresso, os acusados podem pegar de três a oito anos de prisão, e não de dois a 12 anos, como hoje.

O prazo mínimo para a prescrição também aumenta com a modificação, de oito para 12 anos, no mínimo.

Segundo membros da comissão, com isso a legislação fica mais severa. Um dos motivos é o fato de ser mais comum a aplicação das sansões mínimas e não das máximas.

Além disso, a proposta unifica o crime, antes dividido em corrupção ativa e passiva, para facilitar o entendimento e a aplicação das sanções.

Fonte : Folha de S.Paulo

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Tire suas dúvidas sobre a queda de juros nos bancos





Posso renegociar dívida antiga no banco?
Sim, mas essa negociação não interessa ao banco. Para conseguir barganhar, o cliente deve saber se consegue taxas menores em outra instituição e se é factível a mudança.

Quando saberemos se os bancos reduziram de fato os juros ao consumidor?
Só teremos uma ideia quando o BC divulgar as taxas aplicadas nas operações de crédito feitas após o anúncio das mudanças, o que deve levar duas semanas.

Por que os juros do crédito consignado não caem se não há risco?
Os bancos dizem que as taxas já são baixas para a estrutura atual de custos administrativos. Mas a tendência é que haja queda, seguindo a dos juros básicos.

As reduções vão chegar às redes varejistas?
Os varejistas afirmam que aguardam as novas tabelas dos bancos para também reduzir seus juros.

Serviços como SPC e Serasa não ajudam os bancos a saber o risco do cliente, podendo assim reduzir as taxas?
Os bancos reclamam que só há informação negativa, sobre cliente inadimplente. Eles dizem apostar no cadastro positivo, com informações sobre os bons pagadores, para avaliar melhor o risco de novos empréstimos.

Como os juros são altos, vale sempre a pena comprar à vista?
Vale se houver desconto real no preço em relação ao cobrado a prazo. Para as entidades de defesa do consumidor, quem compra à vista sem desconto ªfinanciaº quem compra a prazo, pois o juros estariam embutidos.

O funcionário é obrigado a abrir conta no banco escolhido pela empresa?
Sim, mas pode pedir o benefício da conta-salário, que permite levar o pagamento ao banco de sua escolha sem pagar tarifas.

O gerente do banco pode exigir a compra de outros serviços para dar direito a taxas menores?
Não e isso pode configurar venda casada, o que é proibido pelo BC. Mas o banco pode dar benefícios, incluindo taxas diferenciadas, apenas em determinados pacotes de serviços.

As reduções dos juros vão chegar ao empréstimo imobiliário?
Podem chegar, mas isso será mais consequência da redução do custo de captação dos bancos, que acompanha os juros do governo, do que de alteração nas regras do Sistema Financeiro da Habitação.

O banco pode se recusar a emprestar a quem teve o nome sujo no SPC ou na Serasa, mas já regularizou a situação?
Sim. A análise de crédito é feita segundo o interesse comercial de cada banco.

Folha on line

Novas taxas valem a partir de hoje : Saiba quando vale mudar dívida de banco

Edivaldo Bulba em seu novo apartamento, financiado, em São Bernardo do Campo (SP)
Edivaldo Bulba em seu novo apartamento, financiado, em São Bernardo do Campo (SP)




Redução de juro acirra competição e abre espaço para barganha, mas custos podem inviabilizar troca de instituição.  Despesa de troca de financiamento de imóvel reduz benefício; mudança compensa em bens sem alienação


Depois de pouco mais de um ano de espera pela finalização da obra, Edivaldo Bulba, 50, acaba de se mudar com a família para o novo apartamento, em São Bernardo do Campo (ABC Paulista). Para comprar o imóvel de R$ 470 mil, o professor universitário tomou um financiamento de R$ 370 mil -que está para ser quitado, após a venda da residência anterior.

Bulba também comemora o fato de ter pesquisado as taxas de mercado antes de escolher o banco para o financiamento. "Consegui um custo bem menor em uma instituição que não era a indicada pela construtora e na qual eu não era correntista."

Quem não faz essa pesquisa prévia pode acabar pagando mais do que precisaria. E, mesmo com a possibilidade de, mais tarde, transferir a dívida para outro banco que ofereça taxas mais vantajosas, o custo da mudança, em alguns casos, pode limitar os benefícios da troca.

Especialistas ouvidos dizem que isso é mais comum no caso de empréstimos em que o bem fica em nome da instituição financeira até a quitação do débito. É que a transferência dessa alienação traz, ao devedor, despesas com cartórios e registros, entre outros custos.

Já no crédito para compra de bens de consumo -em que não há alienação-, trocar a dívida para um banco que cobre juros menores costuma valer a pena.

CERTEZA
Mas, antes de mudar, o devedor precisa ter certeza de que conseguiu condições melhores em outra instituição. O quadro acima traz simulações de quanto economizaria um consumidor ao transferir a dívida em dois casos: na aquisição de um imóvel de R$ 300 mil e na compra de uma cozinha planejada no valor de R$ 15 mil.

Na primeira hipótese, em que há custos de transferência de alienação, o devedor vai ter que desembolsar, à vista, R$ 3.000 para obter redução de R$ 164 (ou 6%) na prestação, o que significa abatimento de R$ 27 mil do valor pago até o fim do empréstimo (27 anos).

Em valores de hoje, essa soma representaria R$ 2.060. Ou seja, o custo da troca é maior que o ganho.
No segundo caso, em que não há alienação do bem, a economia de R$ 148 (ou 20%) na parcela não acarreta nenhuma despesa extra.

No financiamento de veículos, também há alienação do bem para o banco e, portanto, custos para transferi-la a outra instituição. Essas despesas, no entanto, são menores que no financiamento imobiliário: em vez de até 1% do valor do bem (imóvel), passam para entre R$ 550 e R$ 1.000, independentemente do veículo.

"Pesquisar antes é a melhor solução; a preguiça pode custar caro. Se a pessoa já tomou o empréstimo, vale a pena fazer cotações para negociar taxas menores, seja barganhando com a instituição atual ou mudando para a concorrência. Mas é preciso avaliar bem para ver quando compensa a troca", diz Marcelo Prata, presidente do Canal do Crédito, site que funciona como buscador de taxas em diferentes bancos.

AINDA ALTO - Valter Police, planejador financeiro pessoal, diz que, apesar de terem caído para algumas linhas de crédito, os juros ainda são muito altos. "Além disso, é difícil que os bancos efetivamente concedam às pessoas comuns as taxas mínimas anunciadas nas propagandas." "Esses percentuais, normalmente, são para clientes que atendam a critérios específicos, como ter aplicações no banco", afirma.

Fonte : Folha de S.Paulo 



quinta-feira, 19 de abril de 2012

Universidades dos EUA terão aulas online

Cinco universidades de prestígio dos Estados Unidos criarão cursos online gratuitos para estudantes em todo o mundo através de uma nova plataforma de ensino interativo, chamada Coursera, anunciaram os criadores nesta quarta-feira.

Os dois fundadores, professores de ciência da computação da Universidade de Stanford, também anunciaram que receberam US$ 16 milhões em financiamento de duas empresas de investimento do Vale do Silício.
O Coursera vai oferecer mais de três dezenas de cursos universitários no ano que vem através do seu site, sobre assuntos que vão desde mitologia grega a neurologia, de cálculo a poesia norte-americana contemporânea. As aulas serão projetadas e ministradas por professores de Stanford, Princeton, Universidade da Califórnia em Berkeley, Universidade da Pensilvânia e Universidade de Michigan.
O Coursera se junta a uma série de projetos online ambiciosos que visam tornar o ensino superior mais acessível e barato. Muitos desses empreendimentos, no entanto, simplesmente publicam palestras inteiras na web, sem nenhum componente interativo. Outros se esforçam para criar novas universidades do zero.
Os fundadores Daphne Koller e Andrew Ng afirmam que o Coursera será diferente, pois os professores de escolas de prestígio vão ensinar usando o nome de sua universidade e vão adaptar os seus cursos mais populares para a web, incorporando tarefas e exames a aulas em vídeo, respondendo a perguntas dos alunos em fóruns online — e até mesmo, talvez, trabalhando por meio de videoconferência.
Testes de múltipla escolha e de respostas curtas serão avaliados via computador. O Coursera em breve apresentará um sistema de classificação para avaliar trabalhos mais complexos, tais como ensaios ou algoritmos.
Os estudantes não receberão créditos da faculdade. Mas o Coursera pode oferecer “certificados de conclusão” ou transcrições mediante pagamento de uma taxa. Uma empresa também pode tentar lucrar conectando empregadores com alunos que tenham demonstrado aptidão em uma determinada área, disse uma porta-voz.
As universidades participantes esperam se beneficiar aumentando a sua reputação no exterior, conectando-se com ex-alunos distantes e, quem sabe, trazendo doações de alunos online agradecidos.
/REUTERS

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Artista japonês transforma animais conservados em objetos de arte



O artista japonês Iori Tomita utiliza um método científico para transformar animais conservados em laboratório em objetos de arte. 
Para conseguir o resultado, Tomita, que é formado em Ciências Pesqueiras na Universidade de Kitasato, modifica as proteínas do corpo dos animais com químicos, para deixá-los transparentes.
Em seguida, ele injeta um pigmento magenta nos ossos dos animais e um colorante azul em suas cartilagens. Em seu site, o artista explica que o procedimento foi criado para permitir o estudo dos esqueletos dos animais.
Tomita diz que cria espécies transparentes 'como objetos que farão com que as pessoas se sintam mais próximas das maravilhas da vida'. Segundo ele, os objetos finais podem ser vistos como experimentos científicos, obras de arte e até como 'uma porta de entrada para a filosofia'.

 Fonte : G1

terça-feira, 17 de abril de 2012

Opinião :A internet se transformou numa grande 'A Praça É Nossa'

 

A internet se transformou numa grande "A Praça É Nossa". A gente senta no banquinho para acompanhar a vida dos outros e ri o tempo todo de piadas que nem sempre têm tanta graça. Quando foi que a rede mundial de computadores, aquela que faria a gente visitar os grandes museus do mundo a partir de nossas confortáveis cadeiras, virou o reino da piada, do "meme", do vídeo fofo e engraçadinho?

Não que eu seja mal-humorada. Faz três dias que acompanho ansiosamente cada post do Como Eu Me Sinto Quando (comoeumesintoquando.tumblr.com). Nem que eu seja uma "culturete" que quer passar todo o tempo na internet aprendendo alguma coisa.

Mas não gosto mais de abrir o Facebook e perceber que todo o mundo vê as mesmas coisas, lê as mesmas notícias (entre clicar e ler, quanta diferença!) e fala dos mesmos assuntos.

Viramos uma manada que se alimenta de virais engraçadíssimos, fofocas e notícias sensacionalistas. E que tem opiniões sobre absolutamente tudo -muitas vezes sem pensar realmente no que achamos, mas repetindo o discurso da vez.

O Instagram ficou disponível para Android? "É um absurdo", bradam indignados os que não querem "foto na laje" em sua "timeline".

O termo "orkutização" se espalha como um grande xingamento. "Orkutizar" nada mais é do que popularizar, o que é excelente. Afinal, quanto mais gente na brincadeira, mais chances de ela ser mais legal. "Orkutizar" devia, ainda, nos lembrar que foi por causa da rede social do Google que descobrimos o prazer de ficar em contato constante com amigos e conhecidos, contando das nossas vidas e acompanhando as deles.

Estamos em 2012, inclusão digital é uma realidade, mas ainda tem gente que acha que faz parte de um clubinho. A internet é mesmo capaz de contradições: é agregadora, mas também é exclusivista e excludente. Oferece todas as possibilidades, mas faz a gente consumir mais do mesmo.

Adoro um pôster que diz assim: "Você não é profundo. Você não é um intelectual. Você não é um artista. Você não é um poeta. Você tem, apenas, acesso à internet".

Como é tudo uma questão de acesso, tomara, então, que cada vez mais gente faça parte do "clube". Porque daí vai dar para dividir melhor o espaço entre o engraçado, o trivial, o profundo. E para aprender, em conjunto, a usar melhor esse mundo de possibilidades. Espero ansiosamente para dar esse "like".

"Estamos em 2012 e ainda tem gente que acha QUE faz parte de um clubinho. A internet é mesmo capaz dessas contradições: é agregadora, mas também é exclusivista e excludente"

DANIELA ARRAIS  da Folha de São Paulo