sexta-feira, 18 de maio de 2012

Órgãos federais terão que tornar pública folha de pagamentos

Estatais como a Petrobras estão liberadas de divulgação sob argumento de que têm que preservar sigilo industrial

Medidas estão previstas em decreto assinado por Dilma como regulamentação da Lei de Acesso à Informação



Os órgãos do governo federal terão que revelar na internet a íntegra de suas folhas de pagamento, incluindo os nomes dos servidores públicos e seus salários brutos.

Em contrapartida, estatais como a Petrobras ganharam, sob alegação de que precisam preservar sigilos industriais e comerciais, uma saída legal para evitar a liberação de determinados documentos e estão desobrigadas de divulgar sua folha salarial.

Até a edição da norma, as empresas estatais estavam submetidas integralmente aos efeitos da Lei de Acesso à Informação, o que era considerado um dos principais avanços da legislação.

Ambas as medidas estão previstas em decreto assinado pela presidente Dilma Rousseff e publicado em edição extra do "Diário Oficial da União" de ontem, como regulamentação da Lei de Acesso à Informação, que entrou em vigor anteontem.

Hoje, o Executivo federal divulga apenas as tabelas genéricas de salário dos servidores e os gastos com diárias. O decreto estipula que tudo deve ser divulgado, incluindo ajudas de custo e demais gratificações. O texto não estabeleceu prazo para os dados entrarem no ar.

O decreto coloca Legislativo e Judiciário na berlinda. Os sites dos órgãos do Judiciário, como o STF (Supremo Tribunal Federal), não trazem os vencimentos dos ministros e servidores.

Presidente do STF, Carlos Ayres Britto disse ser favorável à divulgação de salários e gratificações do Judiciário.

A Câmara e o Senado irão aguardar orientações do Ministério do Planejamento.

O texto da Lei de Acesso foi atacado pela Condsef (Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal), filiada à CUT, que diz representar 850 mil servidores.

"O servidor concursado e de carreira não é alvo dessa lei, uma vez que não é responsável direto pela dilapidação do patrimônio público, da corrupção e o mau uso das verbas públicas", afirmou a entidade, em nota.

Josemilton Costa, secretário-geral da confederação, disse que o decreto de Dilma "é, no mínimo, uma quebra de sigilo". O governo afirma que a regra é a transparência, e o sigilo, a exceção.

SISTEMA

O e-SIC, sistema eletrônico criado pelo governo para receber os pedidos destinados ao Executivo, havia recebido até as 16h30 de ontem 1.570 pedidos. A Folha teve atendido ontem seu primeiro pedido de informações.

A resposta foi enviada pelo Departamento Nacional de Produção Mineral cerca de 17 horas depois da solicitação.

Fonte : Folha de S.Paulo

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Madrid: pedras da calçada vão ter wi-fi e Bluetooth

Todas as pedras da calçada de Madrid terão em breve wi-fi e Bluetooth 2.1, uma inovação que vai revolucionar a forma como os serviços se relacionam com os cidadãos e, esperam os autarcas, o desenvolvimento económico.

Segundo o Green Savers que cita Springwise, o sinal de banda larga emitido em cada pedra conseguirá cobrir uma área de 350 a 580 metros quadrados, sendo que a tecnologia funcionará, inclusive, em condições extremas: de -30 a 75ºC.

A calçada chama-se iPavement e as suas pedras já vêm com o sistema operacional Linux, para além de uma série de outros aplicativos: mapas, cupons de desconto e outras informações úteis, quer para residentes locais quer para turistas.

“É evidente que [o iPavement] vai mudar o mecanismo de comunicação em Madrid, haverá uma comunicação directa e viva com os cidadãos e entre os cidadãos. E vai, sem dúvida, provocar uma mudança no desenvolvimento económico”, explica neste vídeo Javier Urrecha, analista de infra-estruturas públicas.
As novas calçadas de Madrid começarão a ser construídas nos próximos meses e utilizam pedras feitas de carbonato de cálcio. Cada uma pesa cerca de 25 kgs.

Veja o vídeo e, já agora, acompanhe todas as novidades sobre iPavement no Twitter e no Facebook.


Fonte : http://www.menosumcarro.pt

terça-feira, 15 de maio de 2012

Obras da Copa têm situação 'crítica', afirma balanço da Fifa

A Copa como ela é : Documento obtido pela Folha mostra que, para a Fifa, situação de estádios é crítica e que Fortaleza, das 12 sedes, é a única no prazo

Maquete do Estádio do Castelão em Fortaleza a única obra que cumpri o prazo segundo o relatório da Fifa


A situação dos estádios para a Copa do Mundo de 2014 é crítica, avalia a Fifa. A Folha obteve documento da entidade que vê risco de atraso, em alguma proporção, em cinco estádios do Mundial.

A Fifa demonstra preocupação especial com o estádio de Natal, classificado como de "alto risco" de não ser concluído a tempo para a Copa.

As arenas de Manaus e Cuiabá são consideradas de "médio risco" e as de Curitiba e Porto Alegre, de "baixo risco", segundo a entidade.

O panorama para a Copa da Confederações de 2013 é ainda mais crítico. A Fifa aponta atrasos em três das quatro sedes já anunciadas para a competição, tratada como ensaio para o Mundial.

Rio, Brasília e Belo Horizonte são vistas com "médio risco" de não concluírem as obras a tempo. Fortaleza é exceção, está à frente do prazo.

As outras duas cidades que ainda sonham em abrigar o torneio, Recife e Salvador, vivem situações opostas. Os desafios do estádio de Pernambuco "dificilmente serão superados", diz o relatório da Fifa. Já a arena baiana apresenta apenas "baixo risco".

A Fifa reclama da burocracia e do "excesso de politização" dos processos no Brasil, mas elogia, em todos os níveis de governo, a disposição para acelerar as obras. E, portanto, para gastar mais.

O relatório, de 83 páginas, tem a data de 1º de maio, e faz um raio-X completo das obras dos 12 estádios para a Copa.

O estudo foi realizado por Charles Botta, consultor especial da Fifa para estádios, e pela empresa Arena, contratada pelo COL, o Comitê Organizador Local, para supervisionar as obras.

É baseado em informações fornecidas pelas empreiteiras e cidades-sede, além de visitas às construções.

De acordo com a página 10 do relatório,os únicos estádios que já estão com mais de 50% das obras concluídas são Fortaleza (65%) e Salvador (58%). A média entre as 12 arenas é de 34,4%.

As que apresentam menor índice de conclusão das obras são Porto Alegre (4%), Curitiba (12%) e Natal (15%).

É a capital do Rio Grande do Norte que gera maior preocupação na Fifa.

A Folha teve acesso a um e-mail de Botta para a cúpula da entidade, incluindo o presidente Joseph Blatter e o secretário-geral Jérôme Valcke, homem-forte da Copa-14.

Diz Botta na mensagem, datada de 4 maio: "Para a Copa do Mundo, o estádio de Natal ainda é um grande risco. Apesar de terem apresentado uma revisão do prazo de conclusão para dezembro de 2013, ainda assim é um grande desafio técnico".

O consultor da Fifa comemora o fato de todas as 12 obras estarem em andamento, "já que finalmente Porto Alegre e Curitiba iniciaram".

CONFEDERAÇÕES

Bota mostra grande preocupação com os estádios de Brasília e Belo Horizonte para a Copa das Confederações, a ser realizada em 2013.

"Apesar do baixo desempenho em janeiro e fevereiro, ainda não há uma reação consistente de Belo Horizonte, o que requer medidas adicionais de aceleração".

Recife, que pleiteia receber partidas da competição, é criticada pelo atraso. Mas elogiada pelo esforço: "Governo e construtora apresentaram um plano agressivo de reação, com mais equipamentos e pessoal", escreve Botta. "Aumentaram o número de trabalhadores de 2.500 para 5.000, mas é um grande desafio terminar no prazo."

Fonte : Folha de S.Paulo

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Intimidade na rede

Estudo mostra que fotos de Carolina Dieckmann nua foram acessadas 8 milhões de vezes; saiba como proteger seus dados

Em cinco dias, as fotos vazadas na internet em que a atriz Carolina Dieckmann aparece nua tiveram pelo menos 8 milhões de acessos únicos. A estimativa, um alerta sobre como é preciso saber proteger os arquivos mais íntimos, foi feita pela ONG Safernet.

O estudo foi realizado para dimensionar a capacidade de propagação de imagens na rede e fez medições entre a noite do último dia 4 (data em que as imagens vazaram) e a tarde do dia 8. O número é 35 vezes a tiragem da revista "Playboy" no Brasil, que publica 228 mil exemplares por mês.

O estudo da Safernet constatou ainda que o pacote inicial de 36 fotos virou um conjunto de pelo menos 50 mil imagens, que, ao longo do período de monitoramento, se espalharam na rede por 211 domínios em 113 provedores de internet, localizados em 23 países.

"Os dados são desanimadores. Essas fotos vão se eternizar na rede. Não tem como tirá-las de lá", diz Thiago Tavares Nunes de Oliveira, presidente da ONG Safernet, que monitora casos de crimes cibernéticos no Brasil.

Os números podem ser maiores. A pesquisa foi feita só na web, sem contar fotos compartilhadas por e-mail e serviços P2P, como o BitTorrent. Também ficaram de fora mídias físicas, como CDs e DVDs, pen drives e HDs externos para os quais as imagens podem ter sido copiadas.

Para chegar aos dados, a Safernet procurou pelo nome original dos arquivos em buscadores como o Google e em mecanismos de pesquisa dentro de sites. Além disso, usou programas que varrem a internet à procura de imagens digitalmente similares.

"Casos assim são emblemáticos e têm um caráter pedagógico. Eles servem para alertar sobre os cuidados que temos que ter com informações privadas", diz Oliveira.

PRECAUÇÕES
Mas que cuidados são esses? O que fazer para que textos, fotos e vídeos íntimos fiquem bem guardados? "A única forma de proteger seus arquivos sensíveis é a criptografia", diz Mariano Sumrell, diretor de marketing da AVG Brasil. Programas que fazem isso embaralham o conteúdo de arquivos, que só se tornam compreensíveis por meio de senha.

Outra coisa que pouca gente sabe: apenas arrastar um arquivo para a lixeira não o apaga do disco. Para isso é necessário um software do tipo triturador, que escreve informações sobre o bloco do HD que abrigava o dado. "Se você quer guardar dados sensíveis no computador, precisa seguir algumas práticas importantes de segurança", diz Fábio Assolini, analista da Kaspersky Lab.

ARMADURA DIGITAL
Dicas para proteger seus dados sensíveis

EMBARALHE TUDO
A principal maneira de garantir que terceiros não terão acesso aos seus arquivos é criptografá-los, o que significa, assim, embaralhar as informações dentro deles. Só com uma senha é possivel torná-los compreensíveis novamente. Dois programas gratuitos que fazem isso: TrueCrypt (truecrypt.org) e Gpg (gpg4win.org)

COMPLIQUE A SENHA...
Uma senha poderosa, vital para proteger os dados, deve ter pelo menos 8 caracteres e misturar números, letras e símbolos. Além disso, tenha uma senha para cada serviço usado. Caso um seja invadido, os outros não serão afetados. Não memorize a senha em navegadores de web, pois ela também pode ser interceptada

...E AS PERGUNTAS
Tenha cuidado com as dicas que você dá ao responder perguntas que visam recuperar a sua senha em serviços como e-mail. Muitas dessas respostas podem ser encontradas em redes sociais, como, por exemplo, a cidade onde nasceu, o nome dos pais ou o time de preferência

TRITURE O LIXO
Colocar os arquivos na lixeira e esvaziá-la não elimina os dados do HD. Eles podem ser recuperados, mesmo que a máquina seja formatada. Para solucionar isso, há programas que trituram arquivos excluídos. Opções gratuitas: CCleaner (piriform.com/ccleaner) e HDDErase (bit.ly/hdderaselink)

TENTE VIGIAR O TÉCNICO
Se você precisar consertar sua máquina, remova a unidade de armazenamento dela ou peça ao técnico que faça o conserto na sua frente. Se isso não for possível, vale a pena usar a criptografia e o triturador de dados

O ANTIVÍRUS É SEU AMIGO
Ainda há muitas pragas virtuais que copiam as informações presentes na máquina. Para combater isso, use um antivírus. Soluções gratuitas: Malwarebytes (malwarebytes.org) e Microsoft Security Essentials (windows.microsoft.com/mse)

CUIDADO COM A CONEXÃO WI-FI
Quando você usa Wi-Fi, especialmente em redes públicas (sem senha), todas as informações que transitam por ela podem ser interceptadas. Para tablets e smartphones, melhor usar um pacote de dados de uma operadora telefônica. Para desktops e notebooks, melhor uma conexão a cabo

USE UM HD EXTERNO
Se você tem dados sensíveis, evite deixá-los no computador, no tablet ou no smartphone, de fácil acesso on-line. Melhor guardar tudo em um HD externo, off-line

Fonte : Folha de São Paulo 

quinta-feira, 10 de maio de 2012

TV Previdência transmite ao vivo o 1º Seminário Regional da Assippa







A TV Previdência transmite ao vivo no link: http://www.tvprevidencia.com.br  hoje e amanhã (10/05 e 11/05) o 1º Seminário Regional da  Associação de Instituições de Previdência do Pará e do Amapá   ASSIPPA), que ocorre na cidade de Paragominas, no estado do Pará. A transmissão ocorre também na TV Abipem no link: www.tvabipem.com.br

O evento tem como tema central a reestruturação e fortalecimento dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) onde pretende abranger os preceitos de toda legislação previdenciária vigente da área da cultura previdenciária e suas consequências.

A programação completa com as palestras e temas você pode conferir no site da Assipa no endereço: www.assippa.com.br. Temas como: Legislação Previdenciária, Instrução Processual no Tribunal de Contas dos Municípios,    Investimentos dos Recursos Previdenciários Demonstrativos e Limites de Aplicação, entre outros fazem parte das atividades. 

Para o presidente da ASSIPPA, Ráulison Dias Pereira é um momento importante para a associação. “A Assippa como gestora deste seminário pretende aumentar seu alcance e sua influência na região norte; nossa expectativa é boa, pois nosso seminário tem sido aguardado por muitos setores aqui do nosso estado”, declara o presidente. 

Fonte : Ascom/Pro Empresa

terça-feira, 8 de maio de 2012

Rumor: HDTV da Apple virá com Siri e Facetime



O site Cult of Mac divulgou nesta segunda-feira (07/05) algumas informações sobre o que pode ser a tão aguardada HDTV da Apple. Segundo o site, uma fonte que não quis se identificar esteve cara a cara com o protótipo do dispositivo e contou como será a televisão da fabricante.

De acordo com a fonte, o aparelho virá equipado com o sistema de inteligência artifical Siri, também encontrado no iPhone 4s, o que permitirá que os usuários ativem a TV apenas por comandos de voz. Além disso, o televisor terá uma câmera central, que tornará possível a realização de videoconferência no estilo Facetime (também presente no smartphone), o que garante que haverá conexão à internet via Wi-Fi.

A fonte ainda afirmou que a fabricante está preparando o dispositivo para entrar no mercado em breve, mas outros rumores recentes sugerem que a HDTV da Apple só deverá chegar às lojas em 2014. Um analista da J. P Morgan acredita que a empresa deverá, primeiro, reavivar seu set-top box, que será relançado em 2013, e, então, aguardar até o ano seguinte para apresentar a HDTV ao mercado.

Veja abaixo imagens do possível protótipo

 Fonte : Olhar Digital

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Centro de Defesa Cibernética estreia com a Rio+20, em junho

Órgão fará de Brasília o monitoramento de rede da reunião de cem chefes de Estado e governo.
Área vem recebendo prioridade, em todo o mundo, após episódios de ataques, como o do vírus Stuxnet, no Irã

Operador realiza testes no Centro de Consciência Situacional, a "sala de crise" do CDCiber




O CDCiber (Centro de Defesa Cibernética) recebe os últimos retoques, no quartel-general do Exército em Brasília, para sua primeira missão, o monitoramento de rede da Rio+20. A Conferência da ONU para Desenvolvimento Sustentado acontece no mês que vem, de 20 a 22, e deve reunir cerca de cem chefes de Estado e de governo.

O evento é um teste para a nascente estrutura de defesa cibernética do país, que depois terá pela frente a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. "A atuação do Ministério da Defesa nessa área, durante os grandes eventos, por meio do CDCiber, já começa com a Rio+20", diz o ministro Celso Amorim. "O Centro de Defesa Cibernética é precursor e pioneiro no tema."

No Rio, "o foco estará na ação colaborativa entre vetores de defesa". Além do centro, outros órgãos, do Ministério das Relações Exteriores ao Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), vão atuar. Para o comandante do CDCiber, general José Carlos dos Santos, com tantos presidentes e primeiros-ministros, a Rio+20 é até "mais crítica" do que a Copa.

As instalações visitadas pela Folha estão em fase final de obras, para iniciar a operação "nos próximos dias". Na primeira fase, serão 800 m², passando depois a 1.800 m². A sede definitiva, prevista para 2015, será erguida fora de Brasília, em uma das cidades-satélites, seguindo modelo adotado no exterior.

Já em testes, o coração do CDCiber é a "sala de crise", o Centro de Consciência Situacional, que permitirá "verificar em tempo real o que está acontecendo na Rio+20 em termos de monitoramento de rede". Além da segurança e da disponibilidade da rede, outro aspecto da operação será a segurança da informação para os participantes.

VULNERABILIDADE
Mas o projeto do centro vai muito além dos eventos. A prioridade ao tema, tanto no Brasil como no exterior, ganhou urgência diante dos ataques que vêm sendo observados em países como o Irã -cujo programa nuclear foi atingido pelo vírus Stuxnet em 2010, creditado aos EUA e a Israel- e a Geórgia, cujos sites teriam sido derrubados pela Rússia em 2008.

Até o Brasil teria sido alvo de um ataque, em 2009, contra a infraestrutura de energia no Espírito Santo e no Rio. Richard Clarke, que foi o "czar" antiterrorismo dos EUA nos governos Bill Clinton e George W. Bush, citou o caso no livro "Cyber War", de 2010. Também o presidente Barack Obama, ao lançar sua estratégia de defesa cibernética, na época.

O Brasil nega, mas o general Santos admite que há, de fato, "uma vulnerabilidade". Segundo ele, o sistema Escada, da Siemens, usado para o controle de hardware por meio de software, é o mais comum na área de energia -e foi o alvo atingido pelo Stuxnet, no Irã. "Como todo software pode ser alvo de um ataque, nós consideramos, sim, no futuro, essa possibilidade. Mas um ataque ao país eu acho uma hipótese distante."

Fonte : Folha de S.Paulo 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Homem-ciborgue desenvolve projeto no Brasil

Neil Harbisson: olho eletrônico tornou-o o primeiro ciborgue reconhecido oficialmente no mundo Hans von Manteuffel


Primeira pessoa reconhecida no mundo como ciborgue, o irlandês Neil Harbisson está em Recife, onde relatou hoje a sua experiência como homem-máquina. Ele veio ao país para tratar de uma parceria com a Universidade de Pernambuco (UPE), cujo objetivo é o desenvolvimento de tecnologias que ajudem pessoas com deficiências como a cegueira ou a surdez. Harbisson tem uma doença genética rara, a acromatopsia, que só lhe permite ver o mundo em preto e branco. Mas, junto com pesquisadores, desenvolveu um olho eletrônico, que o permite distinguir as cores pelos sons.

O eyeborg (como ele prefere chamar o olho eletrônico) é na verdade uma pequena câmera na testa. Após a captação das imagens, elas são enviadas a um pequeno chip, acoplado na nuca, onde as cores são codificadas para sons.

Dependendo do som, Harbisson consegue saber qual a cor do objeto observado. Por enquanto, o chip da câmera ainda é externo, mas com o passar do tempo, ele pretende introduzi-lo no cérebro.

O irlandês adaptou-se ao seu eyeborg de tal forma que afirma não saber mais viver sem ele. Em 2004, quando tirou uma fotografia para o passaporte, a polícia alfandegária do Reino Unido não permitiu o uso do equipamento. Ele tentou, então, mostrar que a geringonça faz parte de seu corpo, e que homem e máquina eram inseparáveis.

— Foi preciso mobilizar médicos, para assegurar às autoridades que aquilo tudo fazia parte do meu corpo. Foi então que o Governo do Reino Unido me reconheceu como o primeiro ciborgue — relatou Harbisson.

Desde então, é a foto com a câmera que vale para todos os documentos do ativista, que já percorreu 30 países defendendo o direito do ser humano de se transformar em ciborgue.

Harbisson contou ainda que hoje está bem mais cômodo transportar seu olho cibernético:

— Esta já é a décima versão do equipamento. Lembro-me que, com a primeira, eu precisava carregar um computador de cinco quilos na mochila. Hoje está tudo mais leve, e posso distinguir até 360 tonalidades diferentes — afirmou Harbisson.

Ele também é artista plástico e músico. Sua deficiência o levou a conciliar cores e sons e construir seus “Sound Portraits”, que retratam pessoas a partir dos sons captados em seus rostos. Entre os retratados, encontram-se o Príncipe Charles, o ator Leonardo DiCaprio e o cineasta Woody Allen.

— Se as saladas soassem como Justin Bieber, as crianças comeriam mais vegetais — afirmou ele, que usava roupas coloridas e um par bicolor de sapatos de couro e bico fino.

Em 2010, Harbisson criou a Fundação Cyborg, que o transformou em um ativista em defesa do homem-máquina. O lema do ativista é: “Ajude o ciborgue, defenda os direitos do ciborgue e promova o uso da cibernética como parte do seu corpo”. A fundação fica em Barcelona, onde ele passou a infância vendo tudo em preto e branco.

Em Recife, Harbisson está em entendimentos com o Grupo de Reconhecimento de Padrões da UPE, que vem trabalhando em um sistema para codificar a linguagem de libras (utilizada pelos surdos-mudos) em texto ou sons convencionais.

O objetivo é desenvolver um aplicativo para smartphones capaz de captar imagens de gestos (a linguagem em libras) e codificá-las para texto escrito ou oral, explicou ontem o professor Sérgio Murilo Maciel Fernandes, da UPE. Segundo Fernandes, como são poucas as pessoas com conhecimento das libras, os surdos-mudos têm dificuldade em se comunicar. Não por acaso, no sistema público de saúde, há registro de problemas graves como erros de diagnóstico por falhas de comunicação entre médicos e pacientes.

— Ele ficou muito entusiasmado com nosso projeto — afirmou o professor Bruno Fernandes, coordenador dos estudos.

Segundo Harbisson, a Fundação Cyborg desenvolveu protótipos visando ajudar a crianças do Tibete a identificar cores e formatos através de sons.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/tecnologia/homem-ciborgue-desenvolve-projeto-no-brasil-4794658#ixzz1tuN7T1Mn
© 1996 - 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização. 

Fonte : Jornal O Globo
 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Mudança na poupança pode se limitar a novas aplicações

Objetivo do governo é evitar o desgaste que poderá sofrer com a medida. Dilma convoca políticos, empresários e sindicalistas para discutir economia e pedir apoio à mudança




O governo deve anunciar hoje mudanças na regra de correção das cadernetas de poupança para facilitar a queda dos juros. O novo modelo poderá valer apenas para novos depósitos nas cadernetas, evitando assim a crítica de que haverá quebra de contratos já estabelecidos.

O assunto foi discutido ontem pela presidente Dilma Rousseff com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Dilma convocou para hoje reuniões com sindicalistas, líderes da base aliada e empresários para debater medidas econômicas e buscar apoio à mudança.

No encontro, a presidente também deve anunciar uma estratégia do governo para redução do spread bancário -diferença entre os juros que os bancos cobram dos clientes e o que eles pagam para captar recursos.

Na reunião de ontem, várias ideias foram apresentadas. Entre elas, a que prevê que a remuneração da poupança será equivalente a um percentual da Selic, a taxa básica de juros da economia. Esse percentual poderia ser único ou escalonado, dependendo do nível da Selic.

Outra possibilidade, que neste caso valeria para aplicações velhas e novas, é a cobrança de Imposto de Renda. Hoje o ganho das cadernetas é isento. Em 2009, o governo tentou taxar a aplicação, mas recuou diante da repercussão negativa da medida.

Também foi proposta a correção com base num índice de preços. Determinada a criar uma marca para sua gestão, a presidente definiu que entrará em campanha para atingir o que chama de "juros de Primeiro Mundo" -ou seja, na casa dos 2% reais (descontada a inflação). Para tanto, a politicamente difícil mudança na poupança é necessária.

Com remuneração fixada em lei, a aplicação mais popular do país passou a ser um piso para a Selic, que serve de base para definir o custo dos empréstimos e o rendimento das demais aplicações financeiras.
Com a Selic muito baixa, quem investe em fundo de investimento ou títulos públicos poderia migrar para a poupança -gerando problemas para o governo se financiar, por exemplo.

Assim, Dilma iniciou uma ofensiva contra os juros elevados praticados pelos bancos privados ao determinar que os públicos baixassem suas taxas. Subiu mais o tom em pronunciamento na segunda-feira, quando atacou diretamente os banqueiros.

Segundo a Folha apurou, o anúncio deve ser hoje, mas haveria uma última avaliação política ainda na noite de ontem: Dilma pode apresentar a decisão da mudança ou um modelo fechado. De qualquer forma, a mudança sairá por meio de medida provisória.

Depois de adiar para hoje a reunião com os líderes de partidos governistas, marcada inicialmente para ontem, Dilma decidiu também convocar 30 empresários de vários setores para conversa em Brasília. Segundo interlocutores, um dos objetivos é atrair o setor produtivo à cruzada contra os juros altos dos bancos privados.

Folha de S.Paulo 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Para ter juros de 1º mundo, Dilma quer mudar poupança

Presidente convocou aliados para reunião hoje no Planalto e pode abordar o tema
Alteração é condição para redução dos juros, mas possível desgaste faz aliados defenderem que ela adie medida
Dois dias depois de defender em cadeia nacional de TV a redução dos juros, a presidente Dilma Rousseff reúne hoje os líderes dos partidos governistas para discutir medidas econômicas que permitam baixar ainda mais as taxas bancárias e pode incluir na discussão mudanças na remuneração da caderneta de poupança.

Dilma definiu como estratégia de seu governo reduzir os juros reais da economia para no máximo 2% ao ano até o fim de seu mandato, meta que para ser atingida demanda alterações no rendimento da aplicação mais popular do país.

A medida, já tentada antes, tem caráter altamente polêmico, principalmente neste ano eleitoral. Em pronunciamento de TV e rádio anteontem, Dilma acusou uma "lógica perversa" do setor financeiro e cobrou redução dos juros cobrados pelos bancos privados.

Segundo assessores, na reunião de hoje no Palácio do Planalto ela pretende "preparar o terreno" para tratar das mudanças na poupança. 

Um assessor presidencial disse à Folha que ela quer discutir o assunto com seus aliados, mas ainda avaliava a viabilidade política, já que este é um ano eleitoral e o tema de "mudar a poupança" é visto com desconfiança.

Atualmente, os juros reais -taxa do Banco Central, descontada a inflação- no Brasil estão em 3,3% ao ano, nível mais baixo desde o início dos anos 90. Apesar de próximo ao piso de 2% ao ano desejado por Dilma, as reduções a partir do patamar atual são mais difíceis por esbarrarem em problemas estruturais -um deles, a remuneração da caderneta de poupança.

Fixado em lei, o rendimento mínimo da poupança equivale à variação da TR (Taxa Referencial) mais 6,17% ao ano, funcionando como um piso para taxa de juros. Se a taxa básica do BC, hoje em 9% ao ano, ficar próxima do rendimento da poupança, aplicações como fundo de investimento ficariam menos rentáveis que a caderneta porque pagam Imposto de Renda e taxa administrativa.

Isso provocaria fuga de recursos para a poupança, criando problemas para os bancos e dificuldades para o governo financiar sua dívida. Alguns líderes governistas, porém, estão aconselhando Dilma a deixar a mudança para depois das eleições, o que pode fazê-la mudar de ideia e não apresentar o tema hoje.

Mas há um grupo dentro do governo e também no Congresso que defende que a presidente enfrente o tema já. Além de contar com a popularidade recorde de Dilma para esse período de governo, o Planalto discute fórmulas para evitar o desgaste político que aconteceu durante o governo Lula, que ensaiou mudanças na poupança.

Recuou diante dos ataques da oposição e porque o BC começou a subir os juros, tornando desnecessária a medida. Agora, técnicos preparam o que está sendo chamado de uma "nova modalidade de poupança", que seria vendida para a sociedade como um investimento que poderia até render mais do que a atual e abriria espaço para uma queda mais acentuada dos juros. Alguns nomes são citados por assessores, como "poupança flex" ou "poupança ouro".

Folha de S.Paulo