terça-feira, 31 de julho de 2012

Partido Pirata do Brasil é fundado oficialmente


Rick Falkvinge, fundador do Partido Pirata Sueco


PPBr quer disputar as eleições de 2014 e afirma defender liberdade de expressão e o ‘direito civil à privacidade das informações’



SÃO PAULO – Foi oficialmente fundado neste  fim de semana o Partido Pirata do Brasil. Dezenas de pessoas se reuniram em Recife na primeira “Convenção Pirata”. O objetivo da reunião era formalizar o partido, que está em atividade desde 2007 e quer lançar candidatos para disputar as eleições de 2014.

Segundo um dos membros, Paulo Rená, a Convenção Pirata formalizou a criação de uma pessoa jurídica. Os fundadores assinaram uma ata de fundação e fizeram dois requerimentos – um pro cartório, outro para o  Tribunal Superior Eleitoral.

Para formar um partido, eles devem aprovar estatuto, programa de governo, formar uma direção nacional, se registrar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), publicar os documentos no Diário Oficial da União, criar diretórios em ao menos nove Estados, coletar cerca de 500 mil assinaturas, sendo 0,1% do eleitorado de cada unidade da federação, levar a papelada para os tribunais regionais e ter a aprovação do TSE.

Segundo o texto, o partido é uma “associação voluntária de cidadãos que se propõem a lutar pela proteção dos direitos humanos, por liberdade de expressão, pelo direito civil à privacidade das informações em todos os suportes e meios de transmissão e armazenamento, pela liberdade de aquisição e de compartilhamento de conhecimento e tecnologias, incluindo transformações políticas e sociais, institucionais, econômicas, jurídicas e culturais destinadas a garantir a propagação da informação de forma livre e sem impedimentos, com o objetivo de colaborar na construção e desenvolvimento de um Estado Democrático de Direito mais transparente e justo”.

 ENTREVISTA: Rick Falkvinge, fundador do Partido Pirata Sueco

O idealizador do movimento pirata visitou também o Fórum Internacional de Software Livre (Fisl), em Porto Alegre (25 e 28 de julho), onde fez uma palestra sobre as leis de copyright.
O sr. acompanha as discussões sobre o Marco Civil?
Quando li o projeto fiquei muito feliz pelo Brasil não ter seguido as ordens dos EUA. Há coisas muito importantes, como dizer que a conexão é necessária para o exercício da cidadania, e que privacidade é um elemento básico. Em contraste, leis na Europa, sob orientação dos EUA, querem acabar com a ameaça da rede a indústrias obsoletas. Não vai funcionar. Atacar a internet é atacar a cidadania e os direitos civis. Espero que isso não aconteça no Brasil.
Há espaço no Brasil para um partido pirata?
Nunca há espaço para um novo partido. O problema é que o estilo de vida da geração online não é contemplado nas leis. Hoje, os políticos que ditam as regras estão com 60 ou 70 anos. Isso gera um choque de cultura completo com quem cresceu conectado. Lutamos para levar a estrutura de poder horizontal das redes para os políticos. Levaremos a cultura da internet para a política.
As pessoas estão mais conscientes sobre questões do mundo digital hoje?
Vejo o despertar dessa geração online – ela viu que tem muito mais poder do que pensava. Eles não são apenas capazes de lutar contra leis que demonizam e colocam em risco seu estilo de vida, mas também têm o poder de serem eleitos e melhorar as coisas. As vitórias sobre a Sopa e a Pipa (projetos de lei antipirataria dos EUA) podem ser consideradas pontos de ruptura, de quando esta geração se deu conta de quanta influência pode exercer. 
O Estado de São Paulo

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Google lança serviço de banda larga e televisão nos EUA

 
Serviço inaugurado em Kansas City promete internet 100 vezes mais rápida do que as bandas largas atuais

O Google apresentou oficialmente,nesta quinta-feira (26/07), em Kansas City, o Google Fiber, seu serviço de banda larga e televisão nos Estados Unidos.

A empresa promete uma internet 100 vezes mais rápida do que as principais norte-americanas e garante que a velocidade de download será de 1 Gigabyte por segundo para downloads e uploads.

O Fiber também vem com serviço de TV com canais locais e integrado aoNetflix e YouTube, possibilitando assistir conteúdo ao vivo ou por demanda, quando o usuário quiser. Além disso, é possível gravar até oito programas simultâneos e armazená-los na nuvem (com 1 Terabyte disponível no GoogleDrive).

Os equipamentos que funcionam como central de todo o conteúdo foram batizados de Network Box. Eles contam com 2 Gigabytes de espaço para armazenamento em seu disco rígido, transmitirão vídeo em até 1080p, terão quatro entradas Ethernet e funcionam como pontos de Wi-Fi.

Preços e instalação
Há três pacotes disponíveis para planos residenciais. O mais básico custa US$ 300 pela instalação dos cabos e oferece tanto um serviço mais lento de internet (downloads a 5 Megabytes por segundo) quanto uma TV só com alguns canais. 

Para obter o conteúdo completo e velocidade total de conexão, pode pagar US$ 120 pelo plano de banda larga e TV ou US$ 70 só pela internet. Quem contratar o serviço completo, ainda receberá um Nexus 7, que também funcionará como controle da TV.

Para instalar o as fibras óticas, o Google vai exigir certo número de pedidos na mesma região que eles chamam de "fiberhoods".  A empresa também afirmou que arcará com a instalação de cabos em alguns lugares como escolas e bibliotecas. 

Olhar Digital


quinta-feira, 26 de julho de 2012

CULTURA DO BIOMBO



Antes da aposentadoria em novembro, quando também termina seu curto período na presidência do Supremo Tribunal Federal, o ministro Carlos Ayres Britto gostaria de deixar formatado um compromisso de esforço entre os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário para assegurar a aplicação de três leis consideradas por ele essenciais no combate à "cultura do biombo" em vigor desde que o Brasil se entende por gente.

Duas delas são recentes, a Lei da Ficha Limpa e a de Acesso à Informação, mas uma já completou 20 anos e ainda não "pegou": a Lei da Improbidade Administrativa, de 1992, que define punições para agentes públicos por enriquecimento ilícito, imposição de prejuízos ao Erário e infração aos princípios de transparência, probidade, impessoalidade e moralidade que regem a administração pública.

Os escândalos recorrentes e a impunidade decorrente deles dão notícia do vácuo entre a existência da legislação e sua utilidade prática.

"Tudo o que colide com uma cultura arraigada encontra resistências que precisam ser vencidas a fim de que o interesse público prevaleça sobre a inércia das velhas práticas", diz o presidente do STF, que atualmente está no meio de um embate com tribunais de Justiça de vários Estados para fazer cumprir a determinação do Supremo de divulgação dos salários do Judiciário nos termos da Lei de Acesso à Informação.

O que ele chama de "cultura do biombo" é desequilíbrio entre os deveres cobrados ao cidadão e os direitos devidos à sociedade pelo Estado no tocante à prestação de contas de maneira eficaz e transparente.

Ayres Britto considera ideal o momento em que o Supremo tem tomado decisões relativas a mudanças de costumes para se organizar uma ofensiva institucional com a finalidade de quebrar resistências a leis que, por contrariarem práticas culturalmente arraigadas, correm o risco de cair no vazio.

A ideia dele é obter a anuência dos chefes dos Poderes Legislativo e Executivo para fazer dessas três leis objeto da terceira fase do Pacto Republicano, cujas edições anteriores resultaram da reforma do Judiciário, em 2004, e no reforço das prerrogativas no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2009.

A conferir se haverá tempo e, sobretudo, interesse de adesão à proposta.

Olho vivo. Um grupo de advogados de São Paulo oficializou pedido ao Tribunal Superior Eleitoral para que os ministros tenham especial atenção ao uso de denúncias envolvendo partidos e políticos nos programas eleitorais.

É uma preocupação do PT por causa do julgamento do mensalão, mas é tema de inquietação também no PSDB que tem o governador Marconi Perillo na mira da CPI do Cachoeira.

A intenção não é impedir a abordagem desses assuntos no horário eleitoral, até porque seria impossível dada a inexistência de controle prévio dos programas.

O objetivo dos advogados é alertar a Justiça Eleitoral para o risco de possíveis distorções que possam induzir o eleitor a conclusões sobre investigações e processo em que não foram estabelecidas condenações ou absolvições.


Dora Kramer  - O Estado de São Paulo

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Empresas investem em computadores 'para vestir'

Computador vai se mesclar com objetos do cotidiano.Primeiro passo foi dado pelo Google, que desenvolve óculos futuristas

Apple e Olympus planejam aparelhos parecidos; especialista prevê popularização entre sete e dez anos

 
Na imagem temos uma interface de toque de mesa que é orientada para as indústrias. O produto muito semelhante à superfície e tem uma tela multitoque grande e é capaz de reconhecer os dedos, mãos e objetos.


Os computadores pessoais estão mudando de cara. Em um futuro nem tão distante, eles não ficarão sobre a mesa ou dentro do bolso. Os dispositivos assumirão a forma de roupas, joias, acessórios e até tatuagens.

Soa como filme de ficção científica, mas atualmente empresas, universidades e hackers trabalham para desenvolver uma classe chamada de computadores vestíveis (conhecidos em inglês como "wearables").

O primeiro passo para a popularização foi dado pelo Google em abril, quando anunciou que está trabalhando em óculos futuristas.

O acessório roda Android, tem processador e memória, sensores de GPS, câmera digital e uma pequena tela, que exibe informações diretamente para os olhos do usuário.

"Os vestíveis serão a norma", disse à "Wired" Babak Parviz, um dos responsáveis pelo projeto. Antes do Google, o pesquisador trabalhava na Universidade de Washington na criação de uma lente de contato capaz de exibir informações transmitidas pela internet, que chegou a ser testada em coelhos.

Outros gigantes também estão de olho nesse mercado. No começo de julho, a Apple registrou patentes de óculos futurísticos. Na mesma semana, a Olympus anunciou um produto parecido. Ele se conecta via Bluetooth ao celular e exibe informações.

A Nokia foi mais longe e registrou a patente de uma tatuagem eletrônica que vibra quando há ligações telefônicas ou mensagens SMS.

Já disponíveis no mercado, alguns produtos voltados para o esporte são roupas e pulseiras. A Adidas, por exemplo, vende uma espécie de sutiã com sensores embutidos que captam batimentos cardíacos e calorias perdidas. As informações são enviadas para o smartphone.

Em janeiro,durante a CES, maior feira de eletrônicos do mundo, diversas empresas apresentaram produtos, como jaquetas e relógios com computadores integrados.

"Acredito que os vestíveis serão populares entre sete e dez anos", diz Patrick Moorhead, presidente da consultoria Moor Insights and Strategy. "Será quando as pessoas que podem pagar por eletrônicos básicos poderão comprar vestíveis."

Atualmente, a categoria é estudada e implementada em situações especiais, como na reabilitação de deficientes ou como acessório militar. Forças especiais do Exército americano já usam óculos que exibem informações, como localização.

O foco para o consumidor final deverá ser a comunicação e o entretenimento. Imagine como a vida melhoraria se os seus óculos identificassem alguém que você conhece mas não lembra de onde (como fazia o personagem de Arnold Schwarzenegger em "Exterminador do Futuro").

"Vestíveis são o último passo antes de computadores implantados, que atualmente têm difícil aceitação", diz Moorhead.

Folha de S.Paulo

Celulares de DDD 11 mudam no dia 29

Dígito 9 será acrescido a 34 milhões de telefones de 64 municípios, incluindo a região metropolitana de São Paulo... Objetivo é aumentar a quantidade de combinações, segundo a Anatel; implantação da medida será gradual


 

A partir do próximo domingo, 34 milhões de usuários de celulares com DDD 11 de 64 municípios de São Paulo terão um nono dígito acrescido a seus números de telefone. Esse grupo inclui a cidade de São Paulo e os municípios da região metropolitana.

A inclusão do dígito nove à frente dos atuais números é uma medida da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para ampliar as possibilidades de numeração nos municípios com DDD 11.

Segundo a agência, a quantidade de usuários de serviço móvel ativos na região está próxima do limite de combinações possíveis atualmente, de 44 milhões. Com mais um dígito, serão 90 milhões de possibilidades.

A mudança atinge clientes de todas as operadoras, com exceção da Nextel.

Haverá um período de transição para que os usuários se adaptem.

A troca dos números na agenda telefônica, porém, é de responsabilidade do usuário. Para donos de smartphones, já existem aplicativos que prometem fazer a mudança automaticamente.

Para Eduardo Tude, consultor da Teleco, a implantação do dígito é um processo complexo para as empresas.

A mudança exige adaptações nos sistemas que identificam e encaminham as chamadas dentro dos servidores das operadoras.

"É algo comparável à preparação para o início da portabilidade, em 2009", diz. Os investimentos das empresas no processo devem superar R$ 300 milhões.

Folha de São Paulo

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Anatel suspende venda de chips em Estados

A punição não será homogênea no País: empresa com mais reclamações em cada Estado será suspensa; veja mapa

Veja as operadoras suspensas por Estado; 
Claro 2.320 queixas, 
TIM, 1.682; 
Oi, 1.164


BRASÍLIA – A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciou nesta quarta-feira, 18, a suspensão da venda de linhas da Claro, Oi e TIM. O motivo da medida é o aumento das reclamações de usuários. A punição não é homogênea para todo o País. Isso significa que, em cada Estado, a empresa com o maior número de reclamações será punida. As medidas passam a valer a partir de segunda-feira, dia 23.
De acordo com o presidente da Anatel, João Rezende, a Oi não poderá vender chips em cinco Estados. Já a Claro será punida em três Estados – entre eles, São Paulo - e a TIM, com o maior corte, será suspensa em 19 Estados.
As empresas que não cumprirem a determinação pagarão multa de R$ 200 mil por dia.
A partir dessa medidas, as companhias terão que apresentar um plano de investimento e resolver os problemas nos call centers em até 30 dias. Caso a Anatel aceite o planejamento, a suspensão será retirada. Apesar de não terem suas vendas cortadas, Vivo, CTBC e Sercomtel terão que apresentar um plano de investimento.
“Embora extremas, medidas são necessárias para arrumar o setor”, disse o presidente da Anatel.
A assessoria de imprensa da Oi disse que a empresa só vai se pronunciar após a análise das medidas. Já a Claro disse que ainda está apurando a informação. A assessoria de imprensa da TIM afirma que seus representantes terão uma reunião com a Anatel ainda hoje. No entanto, a empresa diz que ainda não recebeu uma notificação formal sobre as punições.
As ações das empresas fecharam em forte queda nessa quarta-feira. Oi PN recuou 4,48%, Oi ON, 2,24% e a TIM ON registrou perda de 2,77%, enquanto o Ibovespa encerrou em alta de 2,25%.
Reclamações
As três operadoras estão entre as empresas que mais recebem queixas dos consumidores, de acordo com dados do Procon-SP. A Claro é a terceira companhia mais reclamada de janeiro a 17 de julho deste ano, com 2.320 queixas. A TIM aparece em sexto lugar, com 1.682 reclamações, e a Oi, em 11º, com 1.164 queixas. A cobrança indevida é o problema mais recorrente entre as três companhias.
Na segunda-feira, o Procon de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, já havia suspendido a venda de linhas de telefones móveis e internet 3G das operadoras Claro, Oi, TIM e Vivo na capital gaúcha. O órgão alegou má qualidade do serviço de cobertura de sinal.
Depois da decisão, ontem o Procon do Rio Grande do Sul disse que a suspensão poderia ser estendida a todo o Estado. O órgão notificou as operadoras com o objetivo de avaliar a qualidade do serviço.

Agência Estado

terça-feira, 17 de julho de 2012

MERCADO: Brasil tem maior taxa do cartão de crédito entre países da América Latina





Apesar das recentes quedas na Selic, o Brasil tem a maior taxa média de juros nas operações com cartão de crédito na comparação com seis países da América Latina (Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Venezuela e México).


O levantamento foi divulgado nesta terça-feira pela ProTeste (associação de defesa do consumidor). O brasileiro que recorre ao financiamento por meio do cartão de crédito, o chamado rotativo, paga taxa média de juro anual de 323,14%.

O Peru, que é o segundo país entre os pesquisados a ter valor maior, cobra 55% ao ano, e o Chile 54,24%. O menor percentual é da Colômbia com 29,23% anual.

Segundo a associação, a comparação foi feita com as taxas praticadas em outros países, priorizando a América Latina, porque países da zona do euro e outros, além de praticarem taxas sabidamente inferiores às do Brasil, boa parte deles não financia saldos devedores de cartões de crédito.

Para a ProTeste, há um "exagero" na cobrança das taxas de juros do cartão de crédito no país.

"Caso a média anual dessas taxas fosse a metade, ainda seria maior que o dobro do segundo colocado, que é o Peru, com taxa anual de 55%", diz em nota.

Veja as taxas de juros anuais (acumulada nos últimos 12 meses) do cartão de crédito
Brasil - 323,14%
Peru - 55%
Chile - 54,24%
Argentina - 50%
México - 33,8%
Venezuela - 33%
Colômbia - 29,23%

Fonte : Folha on line 

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Hábitos de leitores ajudam livrarias a definir estratégias

Registro de dados como tempo de leitura e frequência já é feito pela Saraiva e está nos planos da Livraria Cultura. Nos EUA, Barnes & Noble compartilha informações com editoras; Amazon também coleta dados




Livrarias digitais estão definindo estratégias de mercado com base nos dados fornecidos pelos aplicativos que os leitores de e-books usam.

Para aprimorar seus serviços, as americanas Barnes & Noble e Amazon -que têm seus próprios equipamentos e aplicativos para e-books- aproveitam dados como a frequência de leitura e as marcações que os leitores fazem de páginas e trechos, segundo uma reportagem do "Wall Street Journal". A Barnes & Noble compartilha algumas informações com editoras.

Com a coleta de dados sobre os leitores -que está prevista nos termos de uso das livrarias- é possível estabelecer novos rumos. A Barnes & Noble, por exemplo, decidiu lançar uma seção de livros curtos depois de ver que seus leitores costumavam abandonar obras longas de não ficção pelo meio.

No Brasil, grandes livrarias nacionais já acompanham a tendência de analisar hábitos dos leitores. O Saraiva Digital Reader, aplicativo da livraria Saraiva para várias plataformas, coleta dados como o tempo de leitura e os dias da semana em que o usuário mais lê.

"As informações nos ajudam a entender o comportamento dos clientes em cada tipo de aparelho", afirma Marcílio Pousada, diretor-presidente da Saraiva. Segundo ele, a livraria pode, por exemplo, dar ênfase a livros digitais nas recomendações do site se o cliente for um leitor assíduo de e-books.

Joaquim Garcia, diretor de tecnologia da informação da Livraria Cultura, fala que a empresa já trabalha para ter um sistema parecido. Hoje, a plataforma deles registra as aquisições que o cliente faz e dá recomendações baseadas nisso, mas não recolhe dados sobre os hábitos de leitura.

Nos EUA, a Electronic Frontier Foundation, que defende o direito à privacidade na rede, luta para evitar que lojas de livros possam entregar dados de clientes a autoridades sem que uma corte aprove. "Há um ideal de sociedade em que o que você lê não é da conta de ninguém", disse Cindy Cohn, diretora jurídica da EFF, ao "WSJ".

MERCADO PEQUENO
Uma pesquisa do Instituto Pró-Livro feita em mais de 5.000 domicílios em todos os estados do Brasil, publicada em março, apontou que 70% dos brasileiros nunca tinham ouvido falar de e-books.

A Livraria Cultura diz que menos de 1% dos livros que vende são digitais. A americana Amazon -que planeja chegar ao Brasil ainda em 2012, segundo a Reuters- viu seus e-books superarem a venda de livros físicos em 2011, segundo a IHS iSuppli.
Ivan Pinheiro Machado, editor da L&PM, diz que registrar o comportamento dos leitores de e-books num mercado incipiente como o brasileiro ainda é irrelevante.

A escritora Martha Medeiros, cujo e-book "Noite em Claro" é sucesso na Cultura, diz que jamais levaria em conta dados sobre leitores. "Não estamos trabalhando com uma margarina", afirma.

Fonte : Folha de São Paulo 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Quão à prova de fraude é a urna eletrônica brasileira?



Em março, durante um teste público promovido pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), uma equipe da UnB (Universidade de Brasília) descobriu uma brecha de segurança.

Liderado pelo professor Diego Aranha, o grupo foi capaz de desembaralhar a ordem dos votos registrados na urna. No entanto, o sigilo do voto não foi comprometido porque os especialistas da UnB não conseguiram desvendar a ordem dos eleitores.

"Dada a severa limitação de tempo, não tivemos tempo hábil para executar o plano de testes que analisava a dificuldade de violar a integridade dos resultados de uma eleição simulada", afirmou Aranha à Folha.

Apesar de ter sido corrigida nas urnas que serão usadas nas eleições municipais deste ano, segundo o TSE, a falha dá fôlego a críticos do modelo atual, como o engenheiro Amílcar Brunazo Filho, supervisor do Fórum do Voto Eletrônico, entidade de "eleitores brasileiros que querem saber até onde se pode confiar no sistema eletrônico de votação oferecido pelo TSE".

Uma das recomendações do fórum é a implantação do voto impresso, que seria conferido pelo eleitor e depositado numa urna "para permitir a auditoria independente da apuração".
Walter Carnielli, diretor do Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência da Unicamp, afirma que o voto impresso "ofereceria apenas uma ilusória sensação de segurança" e considera improváveis eventuais fraudes no sistema atual.

"Primeiro porque há várias camadas de segurança pelas quais um fraudador deveria passar, e segundo porque, para compensar os riscos, a fraude deveria ser maciça." Para Brunazo Filho, o sistema atual é bem protegido contra ataques externos, mas vulnerável a investidas internas. "O perigo é o pessoal de dentro [do TSE] fraudar o sistema durante a apuração." 

IMPRESSÃO DO VOTO
"O voto no Brasil é secreto para o próprio eleitor. Parece piada, mas é assim", afirma o engenheiro Amílcar Brunazo Filho, supervisor do Fórum do Voto Eletrônico. A entidade recomenda a implantação no Brasil do voto impresso complementar ao digital, medida em vigor em países como EUA e Peru.

Diego Aranha, professor-adjunto no departamento de ciência da computação da UnB (Universidade de Brasília) e líder da equipe que descobriu uma falha na urna brasileira durante um teste público em março, concorda.

"Há uma clara migração dos sistemas de votação adotados em outros países na direção do voto impresso verificável pelo eleitor ainda no ambiente de votação, sem que o comprovante permita ao eleitor provar suas escolhas para uma terceira parte", diz Aranha.
Ele afirma que as fragilidades encontradas por sua equipe na urna brasileira "são resultado de um processo de desenvolvimento de software imaturo do ponto de vista de segurança e que precisa ser aperfeiçoado".

Em outubro de 2011, Brunazo Filho foi enviado pelo PDT (Partido Democrático Trabalhista) à Argentina como observador externo da eleição informatizada em Ciudad de Resistencia, capital da Província del Chaco.

Lá, o engenheiro constatou práticas que considera superiores às brasileiras. "O eleitor argentino pode conferir e até refutar o registro digital do seu voto, antes de deixar o local de votação, de forma simples e direta", relatou, à época. "O eleitor brasileiro não pode -no Brasil, o conteúdo do registro digital do voto é secreto até para o próprio eleitor, pois não lhe é permitido ver ou conferir o que nele foi gravado."

ALHURES
"Buscar experiências com países que nem sequer fizeram eleições informatizadas num Estado ou numa província inteira, muito menos em um país inteiro, seria desconsiderar todo o conhecimento desenvolvido no Brasil", afirma Giuseppe Janino, secretário de tecnologia da informação do TSE, lembrando que as eleições brasileiras são 100% informatizadas desde 2000.

Janino afirma que o sistema atual, inaugurado em 1996, foi desenvolvido levando em conta as peculiaridades do país. "Mas somos muito abertos e receptivos a toda melhoria possível que sirva para nossas características." Segundo Janino, o TSE considera, por exemplo, promover testes de segurança sem limite de tempo, uma reivindicação de Aranha.

Walter Carnielli, diretor do Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência da Unicamp, considera que o voto impresso ofereceria "uma ilusória sensação de segurança, a um custo extremamente alto, não somente financeiro, mas de risco politico".
"Em um país continental, com perfil socioeconômico e instrucional muito diverso, com variação climática considerável e com votação obrigatória, alterar as regras eleitorais da maneira proposta por alguns opositores, descontando-se todos os motivos potencialmente interesseiros, é no mínimo uma irresponsabilidade", afirma Carnielli.

CONCENTRAÇÃO
Em outubro de 2011, o STF (Supremo Tribunal Federal do Brasil) suspendeu o artigo de uma lei de 2009 que previa o voto impresso para 2014 -em maio deste ano, Carnielli defendeu a decisão em uma audiência pública na Câmara dos Deputados.

"Os juízes do STF acumulam também a função de administradores eleitorais no TSE, fragilizando a desejada imparcialidade nessa área", escreveu Brunazo Filho no ano passado. "Ao julgar matéria administrativa sobre urnas eletrônicas, os membros do STF acabam sendo parte e juízes no mesmo processo".

A entidade supervisionada por ele vê concentração de poder no processo eleitoral brasileiro e defende "a tripartição dos poderes no processo eleitoral, reservando ao TSE a função judiciária". Procurado para comentar as declarações, o TSE não respondeu até a conclusão desta edição.

Fonte : Folha on line 

terça-feira, 10 de julho de 2012

Ciência: descubra quando você está mais criativo




Saiba como identificar seus momentos de criatividade e em quais situações sua imaginação fica mais fértil 


Todo mundo tem um momento especial do dia em que se sente mais disposto e criativo. E alguns estudos, publicados pelo site Life Hacker, afirmam que é possível identificá-los. 

Segundo o site, a criatividade foi ignorada pela ciência até a década de 1950, quando a Associação Americana de Psicologia JP Guilford sugeriu que o tema valeria alguns estudos. Desde então, a ciência criou algumas teorias sobre os momentos em que estamos mais criativos. 

Uma delas sugere que a criatividade fica mais aguçada quando estamos sonolentos e cansados. Sim! A pesquisa aponta que o nosso cérebro gera soluções mais criativas para os problemas quando estamos com aquela sensação de moleza. Para alguns, isso acontece pela manhã, para outros durante a tarde ou a noite. Obviamente, o estudo afirma que cada organismo possui uma característica individual, portanto, o ideal é prestar atenção nestes três momentos e tentar identificar o seu.

Já outra pesquisa acredita que a bebida alcoólica explora a criatividade do ser humano. A ideia é a mesma da teoria anterior: quando você permite que seu cérebro relaxe, você consegue obter respostas mais criativas. Em outras palavras, esta sensação de sonolência, causada pela bebida e pelo cansaço, deixa a sua mente mais leve e, consequentemente, mais criativa.

Na mesma linha, uma teoria afirma que o cérebro continua buscando por soluções criativas quando você vai dormir com algum problema na cabeça. Oestudo ainda diz que a criatividade entra em ação se, ao acordar, você retomar o assunto.

O oposto também já foi considerado eficaz. A prática do exercício físico pode ajudar quando o assunto é criatividade em alta. A teoria  afirma que quando você se foca no seu corpo, você deixa sua mente mais livre para gerar ideias. 

Uma outra pesquisa descobriu que quando a criatividade está relacionada a uma rotina, ela tende a aparecer na hora certa. Basicamente, o estudosugere que se você for uma pessoa organizada, que sempre elabora listas de afazeres e segue sua agenda, você pode "decidir" o momento de ser criativo. Dessa forma, a primeira dica para conseguirmos gerar nosso próprio momento de criatividade é: seja organizado.

Outra dica é criar uma planilha onde você possa marcar os momentos e dias em que esteve mais criativo. Assim, é possível começar a identificar como o seu cérebro funciona e quais os momentos em que você pode contar com sua imaginação. Uma sugestão: use aplicativos que permitam inserir comentários em cada faixa de horário do dia, assim você terá ainda mais precisão.
Uma sugestão simples e que também dá bastante resultado é anotar o horário em que você teve uma ideia. Anote em um bloquinho ou post it e coloque a hora exata. Com o tempo, analise as "eurekas" e tente identificar em qual momento do dia você esteve mais propenso à criatividade. O app para iOS e Android, chamado "Moment Diary", é ideal para isso.

A criatividade pode ser bastante irregular. Mas, com as dicas acima, dá para começar a entender como a sua funciona. Seja em uma corrida pela manhã, soneca à tarde ou uma bebedeira com os amigos, todo mundo tem um momento certo para criar e solucionar os problemas que, às vezes, nos parecem impossíveis.

Você tem alguma dica para "encontrar" sua criatividade? Sabe algum macete para aflorar sua imaginação? Compartilhe com a gente nos comentários 

Fonte : Olhar Digital