segunda-feira, 9 de julho de 2012

Urna em debate

Críticos pedem mudanças para aumentar confiabilidade da votação eletrônica no Brasil; TSE defende modelo atual
 
 
 
Quão à prova de fraude é a urna eletrônica brasileira?
Em março, durante um teste público promovido pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), uma equipe da UnB (Universidade de Brasília) descobriu uma brecha de segurança.
Liderado pelo professor Diego Aranha, o grupo foi capaz de desembaralhar a ordem dos votos registrados na urna. No entanto, o sigilo do voto não foi comprometido porque os especialistas da UnB não conseguiram desvendar a ordem dos eleitores.

"Dada a severa limitação de tempo, não tivemos tempo hábil para executar o plano de testes que analisava a dificuldade de violar a integridade dos resultados de uma eleição simulada", afirmou Aranha à Folha.

Apesar de ter sido corrigida nas urnas que serão usadas nas eleições municipais deste ano, segundo o TSE, a falha dá fôlego a críticos do modelo atual, como o engenheiro Amílcar Brunazo Filho, supervisor do Fórum do Voto Eletrônico, entidade de "eleitores brasileiros que querem saber até onde se pode confiar no sistema eletrônico de votação oferecido pelo TSE".

Uma das recomendações do fórum é a implantação do voto impresso, que seria conferido pelo eleitor e depositado numa urna "para permitir a auditoria independente da apuração".
Walter Carnielli, diretor do Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência da Unicamp, afirma que o voto impresso "ofereceria apenas uma ilusória sensação de segurança" e considera improváveis eventuais fraudes no sistema atual.

"Primeiro porque há várias camadas de segurança pelas quais um fraudador deveria passar, e segundo porque, para compensar os riscos, a fraude deveria ser maciça."

Para Brunazo Filho, o sistema atual é bem protegido contra ataques externos, mas vulnerável a investidas internas. "O perigo é o pessoal de dentro [do TSE] fraudar o sistema durante a apuração."

Fonte : Folha de S.Paulo 
 

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