quarta-feira, 19 de junho de 2013

Tecnologia pode transformar fumaça em energia e diminuir emissão de poluentes

Estudo do físico brasileiro Joner de Oliveira Alves mostra que é possível transformar fumaça em tubos de carbono. Gases emitidos pela queima do bagaço de cana de açucar, resíduos de milho, pneus velhos e garrafas PET agora podem ser utilizados na fabricação de nanotubos de carbono. A queima desses resíduos também pode reduzir em até 90% a quantidade de detrito gerado, o que evita a deposição em lixões. “Essa tecnologia evita que os gases poluentes sejam lançados na atmosfera. “A ideia é valorizar a cadeia de reciclagem energética porque o Brasil precisa de fontes de energia limpas, sem usar recursos naturais não renováveis, como o petróleo. E ainda é possível atingir outra cadeia, que é a indústria de nanotecnologia”, afirmou o cientista em entrevista à INFO (da editra Abril).



Na técnica desenvolvida por Joner, os resíduos são primeiro aproveitados para a geração de energia. A diferença é o aproveitamento dos gases resultantes da saída do processo. Isso ocorre porque o carbono encontrado nos gases foi usado para a fabricação dos nanotubos. O que resta do processo é o hidrogênio, um gás não poluente que pode ser liberado na atmosfera.

Os resíduos são incinerados em um forno e depois filtrados, o que resulta apenas em gases. Depois, um catalisador quebra os hidrocarbonetos dos gases em carbono e hidrogênio. O carbono fica retido na forma sólida, como um pó de grafite, onde são encontrados os nanotubos. Já o hidrogênio é lançado na atmosfera, mas é um gás limpo, que não polui o ar.

Os nanotubos de carbono tem um diâmetro corresponde a um nanômetro, ou seja, um bilionésimo de metro (10-9 metros). Apesar do vasto campo de potenciais aplicações, ainda não existem no Brasil empresas que produzem esses materiais em larga escala. A indústria cosmética é a que mais tem investido nesse tipo de material. “Como os nanotubos são partículas muito pequenas, conseguem penetrar em camadas da pele que outras substâncias não alcançam".

A pesquisa já rendeu ao físico seis prêmios, sendo o último deles o Prêmio AEA (Associação de Engenharia Automotiva) de Meio ambiente.

Ainda está caro

Sobre a aplicação prática do projeto, Joner ressalta que é preciso baixar o preço dos nanotubos. Também é preciso adaptar locais onde a queima de resíduos já é feita para a geração de energia, como no caso das usinas de açúcar e etanol.


Fonte: Planeta Sustentável
Imagem: Divulgação

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